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Wanderson Huebert

Minha História - o desfecho

O INDICETJ.COM publicou uma experiência sob o título "De Um Leitor", na parte Artigos dos Leitores. O leitor, agora identificado, relata o desfecho em uma carta à seus familiares.

Aos meus familiares,

Vários de vocês perguntaram à minha esposa se eu estava bem. Obrigado pela consideração. Esta carta tem como objetivo esclarecer o que aconteceu em relação à minha saída da organização e em qual situação me encontro. Não precisam rasgá-la sem antes ler, pois é inofensiva.

Meu objetivo com esta escrita de forma alguma é expor os motivos doutrinários que se tornaram o cerne de minha decisão, pois assim estaria invadindo a privacidade alheia de escolher a forma como dirigem suas vidas. Se desejarem saber estas questões, sugiro que pesquisem e se informem, pois simplesmente não há prejuízo em saber em que estamos nos envolvendo e colocando o futuro de nossas crianças.

Tenho o dever de acrescentar que onde há verdade não há repressão e nem medo, pois a suposta 'verdade' vinda do Criador naturalmente teria obrigação de ser incontestável e sobreviver a qualquer escrutínio, o que não acontece.

Quanto a difícil decisão que tomei, não foi repentina e nem impulsiva mas, antes, foi baseada em comprovações e anos a fio de pesquisas, portanto definitiva.

Particularmente me sinto em paz e bem resolvido. Por favor, não pensem que estou sofrendo ou coisa semelhante. Isso não acontece! Muito pelo contrário, sou feliz agora!

O que me causa angústia é o fato de não ter a menor possibilidade de mostrar isso detalhadamente para todos vocês devido a regra absurda imposta pela Sociedade de não permitir associação comigo alegando que pessoas na minha condição estão entregues ao Diabo ou algo assim. Essa atitude que condena ao ostracismo quem decide sair é simplesmente covarde e desamorosa e expõe o medo que a organização tem de ser desmascarada. Mas isso é outra história que se quiserem saber terão de procurar por sua própria conta.

Vou continuar levando a minha vida normalmente me dedicando à família como sempre fiz. Minha atual condição não muda em nada minha moral. Só muda fato de que agora faço o que é correto pelo simples dever e caráter! Não por medo de julgamento.

Vou criar os meus filhos sem este fardo pesado que os faz serem discriminados na escola e em seu ambiente de trabalho quando crescerem, sem medo de serem mortos por Deus, por simplesmente irem à festinhas de aniversário de seus coleguinhas de escola, sem a idéia macabra de que todos os seus coleguinhas de escola serão mortos no Armagedom. Isso faz muito mal à cabeça de uma criança.

Sou órfão de pai, mãe e agora de irmã também! Por culpa minha? De minha irmã? Não! De nenhum dos dois, a culpa é da organização que incentiva desagregação da família.

E você, minha irmã, porque vai à minha casa somente quando não estou, mas quando busco minha esposa na sua casa, me chama pra entrar? Assim você me confunde, decida-se! Não são vocês que dizem que não há meio termo?

Posso dizer pessoal, que vale muito a pena saber a verdade sobre 'a verdade', mesmo que isso cause dor. Pois passei toda a minha vida na organização e minha mãe deu sua vida por ela. A constatação pra mim foi particularmente dura! Mas, faz parte da natureza humana querer pôr à prova as coisas, principalmente as que controlam nossas vidas! São muitos anos de organização. Todos os dias alimentamos nossas mentes com estas informações e, com o tempo, realmente isso se solidifica de tal forma que fica quase impossível mudar. É necessário que se queira, ou, no mínimo, que se tenha curiosidade e vontade de saber.

Imaginem se houvesse uma possibilidade de que aquilo que cremos ser verdade não seja! Eu realmente acho que vale muito a pena verificar. Até porque se é a verdade mesmo, então isso vai se confirmar.

O que realmente me incomoda hoje é exatamente isso, saber de tanta coisa e ter que guardar pra mim.

Despeço-me reafirmando meu amor por todos vocês. Estou disponível a qualquer hora, através dos contatos abaixo:

MSN e email: wanderiff@hotmail.com

Tel.: xxx ou em minha casa.

Se decidirem não me procurar mais, será uma pena. Mas, neste caso, terão que considerar esta carta como um adeus, pois sabendo tudo o que sei, digo que não há a menor possibilidade de voltar atrás em minha decisão.

Um forte abraço,

Wanderson Huebert

 

Congregação Jardim Califórnia,

Nova Friburgo, RJ